É incrível a falta de compromisso dos "jornalões" brasileiros com a verdade e a democracia. Quando surge algum fato que os desagradam, a reação é violenta e insana.
Estes jornais não merecem mais este nome, pois se transformaram em panfletos partidários, porta- vozes da elite econômica e financeira deste país, cujo líder supremo é o banqueiro invencivel Daniel Dantas. Representam seus interesses, atacando o governos e escondendo os avanços conquistados.
É um exemplo atual daquilo que nos dizia Gramsci sobre as classes hegemônicas e de como elas se apoderam dos meios de comunicação para difundir somente a sua própria verdade. Qual democracia o jornal Estadão defende? A democracia que prende um ladrão de manteiga e solta um banqueiro bandido? Pois parece que sim. Vejamos seu edital da edição on-line de ontem.
Retirado do estadão.com em 19/01/2010
"Nova investida contra a democracia brasileira." ( Título sensacionalista)
Vem aí mais um ataque à liberdade de informação e de opinião, preparado não por skinheads ou outros grupos de arruaceiros, mas por bandos igualmente antidemocráticos, patrocinados e coordenados pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O texto começa com uma acusação direta ao governo. Porém, não acaba por aí. O texto continua fazendo uma grave e infundada insinuação:
A 2ª Conferência Nacional de Cultura, programada para março, foi concebida como parte de um amplo esforço de liquidação do Estado de Direito e de instalação, no Brasil, de um regime autoritário.
Quando foi que o governo defendeu um regime autoritário?
O texto segue destilando preconceito. O texto-base da conferência poderia figurar num museu de teratologia política, como exemplo do alcance da estupidez humana.
Por acaso defender a democratização da cultura é uma estupidez? Somos fadados a ouvir, ler e assistir o que nos vendem os grandes grupos de comercialização da cultura?
O editorial do Estadão ainda se queixa de uma tentativa de maior controle social sobre os meios de comunicação. Aqui fica claro o despreparo de quem escreveu o artigo. Chega a ser cômico (não fosse trágica) a confusão feita pelo autor da obra.
Mas "controle social", em regimes sem liberdade de informação e de opinião, significa na prática o controle total exercido pelo pequeno grupo instalado no poder. Nenhum regime autoritário funcionou de outra forma.
Disso o Estadão entende bem. Funcionou em perfeita ordem no regime autoritário de 1964 a 1985, fornecendo valiosas receitas de bolos e sonegando a informação de que havia tortura e resistencia contra a ditadura militar. Esta é a democracia defendida pelo Estadão. A Democracia dos fortes. Ainda hoje, relembro ao editor, um pequeno grupo está no controle do Poder no Brasil. Isso qualquer estudante de Sociologia sabe.
Adiante atacam novamente o governo, defendendo a tese de que o governo petista é contra a pesquisa e a tecnologia, acusando-o de querer enterrar a EMBRAPA. Isso, segundo o editorial, só não aconteceu devido ao desempenho da imprensa. A imprensa teve papel essencial nessa defesa da melhor tradição de pesquisa. Isso a companheirada não perdoa. Em seguida, segue fazendo um ataque desnecessário e gratuito à figura do Presidente da República. No caso do presidente Lula, o desagrado em relação à imprensa é reforçado por uma espécie de alergia: ele tem azia quando lê jornais. Se for o Estadão, eu também.
Mais pra frente notamos o despreparo do redator e sua falta de conhecimento: O agronegócio brasileiro, modernizado, eficiente e competitivo, não tem nada de colonial, nem na sua organização predominante nem na sua tecnologia, em grande parte fornecida pela pesquisa nacional de mais alta qualidade. Ai ai ai.
Vamos lá.
Primeiro que o agronegócio brasileiro ainda conserva características coloniais. O trabalhador não tem direito à posse de terras e a direitos básicos, havendo, inclusive, uso de trabalho escravo. Mas é com negros e pobres, por isso não incomoda o jornal. Além disso, grande parte dos incentivos para agricultura são destinados à agricultura em larga escala, monocultora, voltada para exportação.
Segundo, os insumos utilizados na agricultura em larga escalão são produzidos por multinacionais como a Monsanto e a Chemical Brothers e não por empresas nacionais. Aqui fica evidente que não se trata de falta de conhecimento. Qualquer aluno mediano das escolas em que dou aulas derrubaria facilmente esse argumento. O jornal é simplesmente tendencioso. Além disso, é uma diretriz do atual governo nacionalizar as fábricas produtoras de insumos agrícolas.
Terceiro, há também um ataque feroz e impiedoso contra a população indígena, acusando o modo de produção indígena de predatório, e defendendo o latifúndio altamente mecanizado. Cultura extrativista era, sim, a cultura indígena. Não é novidade que a elite paulistana tem nojo do povo brasileiro. Eles adoram os brancos de olhos azuis, como Daniel Dantas. Como aqueles europeus que há 500 anos invadiram o território indígena e destruiram o meio ambiente. Ou o editor acredita que índio destrua o Meio ambiente?
Só pra lembrar o editor, os índios brasileiros possuíam um modo de produção coletor. Coletavam seus alimentos quando e o quanto precisem sem degradar o meio ambiente.
E em quarto, para finalizar o show de horror, um golpe direto e sem disfarce à Democracia. O documento produzido pela Conferência é fruto de vários debates regionais e consultas ao povo em todas as partes do Brasil, sendo um conjunto de propostas que atendem ao anseio de grande parte da sociedade. É, portanto, democrático. O próprio jornal informa isso ao reproduzir a fala da secretária de articulação do Ministério da cultura, Silvana Lumachi Meireles. Todos os itens, argumentou, foram referendados em conferências regionais. Porém, para o Estadão e os grupos de (des)comunicação como Folha, O Globo, Record, Bandeirantes, Veja e etc, só existe uma democracia no Brasil. A democracia dos Fortes. Seus interesses e suas vontades de classe. Sua hegemônia respaldada por um Judiciário corrupto, um Legislativo descompromissado e imundo. O Brasil é deles. O restante que se vire em meios a impostos exorbitantes, enchentes e deslizamentos.
Será por este motivo que os jornalistas defendem o monopólio da atividade jornalística? Para nos cegar ocultando a verdade se aliando aos corruptos?
Segue abaixo link do Edital em questão.
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100119/not_imp497938,0.php

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